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Nessa manhã, como todas as outras, eu lembrei de você. Lembrei quando você me acordava com aquele hálito refrescante que fazia inveja a qualquer comercial de creme dental. Lembrei que as vezes, a gente colocava o despertador 30 minutos mais cedo que as nossas obrigações só pra ficarmos de papinho embaixo das cobertas.
Meu bem, tive tantas lembranças, tantas coisas boas, tantas mordidinhas no queixo, tantos assopros de bom dia ao pé-do-ouvido... tantos cafés-da-manhã, tantos!!!
Hoje eu me encontro aqui, sozinho, frio, lembrando; apenas!
Quando você se foi, tive a impressão que eu também iria. Pensei que minha alma tivesse ido junto ( e até hoje penso que ela se foi ). Dói! Dói tanto, mas tanto, que a própria dor já criou um anestésico em mim.
Passaram-se dois anos após a sua morte, agora já ando nas ruas com uma cara de 'normal'. Um normal que por dentro é puro sofrimento, puro pranto; mas para os outros, um ser normal. Afinal, como diria o poeta " pra todo mundo a minha cara é de alegria, porque ninguém tem nada a ver com a minha dor ".
Hoje não reclamo mais da dor, não quero arrancá-la do meu peito. Pelo contrário, quero apenas que ela fique alí, latente, vivente. Quero que ela exista, assim saberei que você existe dentro de mim!
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Eu queria manter cada corte em carne viva.
A minha dor em eterna exposição...
